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Friday, 24 September 2010

Princípios filológicos da MEGA

Princípios filológicos

A Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA) é a edição completa, histórico-crítica, das publicações, dos manuscritos (esboços) e da correspondência de Karl Marx e Friedrich Engels.
Integralidade
Ela apresenta em sua integralidade, pela primeira vez, o legado literário de Marx e Engels, na medida em que este legado foi conservado e está acessível ao pesquisador. Aos escritos, artigos e cartas já conhecidos – pela primeira vez, também, as cartas de terceiros a eles endereçadas –, vem somar-se uma série de trabalhos ainda inéditos ou mais recentemente descobertos. Por uma análise da autoria deste material, pôde-se confirmar ou invalidar em inúmeros casos a sua atribuição a Marx ou a Engels e, com isso, esboçar os contornos mais gerais de sua obra completa, de modo que todos os seus manuscritos, rascunhos, anotações e excertos sejam publicados.

Fidelidade ao original
A MEGA reproduz todos os textos em sua língua original, submetendo-os a um exame de seu vocabulário, do quadro conceitual utilizado e à clarificação da terminologia do ponto de vista de sua gênese histórica. A reprodução dos textos é fiel ao material autorizado e conservado na forma de manuscritos e publicações originais. Manuscritos inacabados são apresentados tal como deixados por seus autores. Uma revisão crítica, visando eliminar do texto os seus erros evidentes, é realizada cuidadosamente e com a mais alta rigorosidade.
Apresentação da evolução dos textos
A MEGA documenta integral e claramente a evolução das obras desde seus primeiros esboços até sua versão final, com auxílio de modernos métodos de edição: as diversas obras são, de início, integralmente reproduzidas de acordo com o manuscrito ou primeira publicação, na parte “Texto” (Textteil) do volume. Em seguida, a evolução integral do texto dos manuscritos e das publicações é apresentado no índice das variantes, que compõem o “Aparato crítico” (Apparat) do volume, de modo que cada versão singular de um texto seja reproduzida, bem como o conjunto de sua evolução. Com isso, torna-se possível uma compreensão até então desconhecida da maneira de trabalhar dos dois autores.
Comentário minucioso
A edição dos textos é acompanhada de um rigoroso comentário científico, que ocupa um volume em separado: o “Aparato crítico”. Tal volume contém explicações sobre o trabalho dos editores e as indicações necessárias para a utilização científica da obra: a começar por uma introdução, na qual os textos editados são apresentados e contextualizados histórica e cientificamente. Segue-se a isso a apresentação da história da elaboração e transmissão de cada obra, o que inclui as razões da atribuição de sua autoria, os fundamentos da determinação de sua data, assim como uma descrição detalhada dos manuscritos conservados e das publicações autorizadas. Em seguida, segue-se o índice de variantes (Variantenverzeichnis), que apresenta a evolução do texto, e o índice de correções (Korrekturverzeichnis), que fornece informações sobre as intervenções dos editores no texto original. Os esclarecimentos (Erläuterungen) fornecem todas as outras indicações factuais, referências ao interior da obra e registro das fontes, que constituem elementos necessários para uma utilização científica da obra. Um extenso índice analítico remata cada volume.

Estrutura e estágio atual do trabalho

A MEGA é dividida em quatro seções: 1ª seção (Obras, Artigos, Esboços), 2ª seção (“O Capital” e trabalhos preparatórios), 3ª seção (Correspondência), 4ª seção (Excertos, Anotações, Glosas marginais). Dos 114 volumes previstos (122 tomos), 52 volumes (56 tomos) já foram publicados (em negrito, no quadro abaixo), 35 encontram-se em fase de preparação (em itálico, no quadro abaixo) e para 27 dos volumes restantes foram garantidos direitos de preferência para a edição.

A Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA-website)

O projeto da Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA)


A edição das obras completas de Marx e Engels teve seu início nos anos 1970, em Berlim e em Moscou. Desde então, obteve sempre grande prestígio por parte dos grupos de especialistas e atualmente pode ser encontrada em todas as grandes bibliotecas do mundo. A partir de 1989, a continuidade da publicação passou a contar com o apoio de cientistas, políticos e editores de vários países europeus, do Japão e dos Estados Unidos.
Em 1990, por iniciativa do Instituto Internacional de História Social, que conserva a maior parte dos manuscritos de Marx e Engels, foi fundada em Amsterdã a Fundação Internacional Marx-Engels (Internationale Marx-Engels-Stiftung / IMES), que, desde então, edita a MEGA como publicação de caráter acadêmico e resultado de uma cooperação científica internacional. O IMES, politicamente independente, é uma rede internacional da qual fazem parte a Academia de Ciências de Berlim-Brandenburgo, o Instituto de História Social, em Amsterdã, o Instituto de Pesquisa Histórica da Fundação Friedrich Ebert, em Bonn, e o Arquivo Público da Rússia para a História Social e Política, em Moscou. O IMES tem como objetivo concluir o projeto da MEGA, a edição histórico-crítica dos escritos completos de Marx e Engels.
O conjunto da MEGA foi reduzido de 164 para 114 volumes, dos quais 52 foram publicados. Atualmente, trabalham neste projeto equipes de pesquisadores na Alemanha, Rússia, França, Holanda, Dinamarca, Itália, Estados Unidos e Japão, o que torna a MEGA o mais importante projeto internacional deste tipo, recebendo apoio inclusive da União Européia.
Com a mudança da editora Karl Dietz Verlag para a editora Akademie Verlag e a publicação dos primeiros volumes, já de acordo com novos critérios editoriais, foi concluída a reorganização do projeto. No “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, Ulrich Raulff comentou os longos esforços para a retomada da edição e lembrou os princípios que a norteiam: “Despolitização, internacionalização e academicismo eram os três propósitos ligados ao prosseguimento do trabalho na MEGA. O primeiro propósito era atingido com o abandono da editora Dietz Verlag: a filologia estava protegida de seu último veneno, o sectarismo partidário. A realização do terceiro propósito estava garantida pela passagem da edição às mãos da editora Akademie Verlag. Nela os volumes azuis figuram, agora, ao lado das grandes edições de Aristóteles, Leibniz, Wieland, Forster e Aby Warburg – clássicos em meio aos clássicos”. (“Frankfurter Allgemeine Zeitung”, 7 de outubro, 1998).
Atualmente, na Academia de Ciências de Berlim-Brandenburgo, oito colaboradores científicos preparam doze volumes e se encarregam da redação final e da revisão técnica de todos os volumes editados em cooperação internacional.
Os doze volumes publicados após a reorganização da edição, sob os cuidados da Akademie Verlag, obtiveram uma extraordinária repercussão no público alemão e internacional, para-além dos círculos especializados. A eles foram dedicados comentários detalhados na “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, no grande jornal japonês “Asashi Shimbun”, no “Times” de Londres e no “Journal of Commerce”, de Washington. No mesmo sentido, o “Die Zeit” (25 de fevereiro, 1999) caracterizou a continuidade da Edição Completa das Obras de Marx e Engels como um ato necessário de justiça histórica: “A MEGA é, no sentido próprio da palavra, um empreendimento secular e seu começo, seus obstáculos e ressurgimento refletem de modo paradigmático as tragédias históricas do século XX. No ano de 2025, quando, de acordo com o plano editorial, ela estiver concluída, terá sido necessário exatamente um século para que a obra de Marx e Engels pudesse ter vindo à público em sua forma original, isto é, não censurada”.

Sobre a História da MEGA

O projeto de uma edição completa, histórico-crítica, das obras de Marx e Engels, remonta a David Rjazanov (1870-1938). Nos anos 1920, em Moscou, o estudioso russo deu início a uma edição das obras de Marx e Engels em 42 volumes, editados em Frankfurt e em Berlim e dos quais apareceram doze volumes entre 1927 e 1941. A tomada do poder por Hitler e a escalada do terror stalinista nos anos 1930, do qual Rjazanov e muitos outros editores russos e alemães foram vítimas, colocaram um fim a esta edição, que, pela primeira vez, trouxe a público os “Manuscritos Econômico-Filosóficos” de 1844 e a “Ideologia Alemã”. Embora o projeto de Rjazanov tenha sido retomado em Moscou e em Berlim à época do “degelo” que se seguiu à morte de Stalin, a concepção de uma nova “segunda” MEGA, que apresentasse os legados literários de Marx e Engels integralmente e conforme com o original, dotada de um comentário minucioso e que traçasse a evolução dos textos à luz de métodos modernos, só pôde impor-se nos anos 1960, contra a resistência das altas instâncias partidárias, que viam com suspeita uma edição completa, histórico-crítica. À época, o Instituto Internacional de História Social (IISG) apoiou prontamente o projeto, uma vez garantido o caráter completo e histórico-crítico da edição. Os critérios editoriais desta “nova” MEGA, apresentados em 1972 em um volume de prova, baseavam-se em concepções editoriais inovadoras e foram favoravelmente acolhidas pelos especialistas internacionais. Dois terços dos manuscritos originais indispensáveis para uma edição histórico-crítica encontram-se desde os anos 1930 aos cuidados da IISG, o outro terço restante encontra-se em Moscou e, atualmente, é conservado pelo Arquivo Público da Rússia para a história social e política. Dos 36 volumes surgidos até 1990, uma terça parte foi preparada pelo Instituto de Marxismo-Leninismo integrado ao CC do  PCUS, em Moscou, outra terça parte pelo Instituto de Marxismo-Leninismo integrado ao CC do SED, em Berlim, e a última parte pela Academia de Ciências e outras universidades e escolas superiores da RDA (Berlim, Erfurt-Mühlhausen, Halle-Wittenberg, Iena e Leipzig).
Após o outono de 1989, a IISG e a Casa Karl Marx (Tréveris) da Fundação Friedrich Ebert, em acordo com as editoras então filiadas ao projeto, tomaram a iniciativa de criar uma Fundação Internacional Marx-Engels (IMES), que foi instalada em Amsterdã, em outubro de 1990.
Em fevereiro de 1992, a Conferência das Academias de Ciências Alemãs firmou um contrato de cooperação com a Fundação Internacional Marx-Engels. Sob recomendação do Conselho Científico e da Comissão Federal para a Planejamento do Ensino e do Incentivo à Pesquisa, a MEGA, após uma avaliação positiva por uma comissão internacional presidida pelo filósofo Dieter Henrich, foi integrada ao Programa Acadêmico da Federação e dos Estados a título de Projeto da Academia de Ciências de Berlim-Brandenburgo. A “avaliação deste projeto editorial [teve] por resultado a constatação de seu alto nível e sua correspondência aos padrões de exigência do Ocidente” (Henrich 1993, p. 20).
Isto vale, igualmente, para o aspecto físico dos volumes da MEGA – concebidos pelo artista gráfico Abert Kapr, de Leipzig – cuja tipografia e encadernação foram mantidas após a passagem da editora Dietz Verlag para a Akademie Verlag (1998).
Constitui uma novidade, ao contrário, a despolitização da edição, particularmente de seus comentários. O antigo imperativo de edição e interpretação teleológicas, politicamente motivadas, cedeu lugar ao princípio de uma conseqüente avaliação da historicidade da obra. Trata-se de uma contextualização do pensamento marxiano, capaz de situá-lo em seu tempo, com seus problemas e interrogações.
Fica, assim, evidente que Marx, independentemente da força de um pensamento que marcou a história, ocupa um lugar na história de várias disciplinas cientificas: com a MEGA, acentua-se o caráter enciclopédico de uma obra que se estende, para-além das ciências econômicas e sociais, até a filosofia, a sociologia e a história da cultura.

Malcolm Sylvers on the MEGA

Malcolm Sylvers: Scholarly Editing and the relationship between the United States and Europe. Recent developments in the Marx-Engels-Gesamt­aus­gabe (MEGA). In: Documentary Editing. Indianapolis. Vol. 24. no. 1, March 2002. pp. 12–17 [excerpts]
The editorial reorganization of the 1990s decided to continue the edition as a joint one of both authors. The former tenet of ideological orthodoxy in the socialist countries—that there was a complete identify of thought between the two—can no longer be taken seriously. But given the strong intercon­nection of the lives and study of Marx and Engels, a unified edition remains com­pletely justified. If it is clear that they possessed individual styles and interests, it is also true that their continuous and intense relationship has no parallel in German cultural history: the relations between Luther and Melanchthon, Goethe and Schiller, and Adorno and Horkheimer were quite different. […] Like other critical editons, the MEGA may be seen in these times as a useful reaffirmation of the centrality of the written text in our civilization. Specifically, the Marx-Engels-Gesamtausgabe adds greatly to our knowledge of these authors. The variations in their manuscripts allow us to chart the evolution of the text and thus the thought of the author. (This is far more possible with Marx, who wrote as he was thinking, than for Engels, who tended to put down on paper what he had first thought out in his mind.) The publication of all manuscripts of Das Kapital will allow us to see exactly how Engels put together the second and third volumes, and consequently it will be much easier to understand their differences as well as their similarities. The correspondence, on the other hand, with the publication of the letters they received and the identification of thousands of individuals, will take us a long way toward seeing them, not as individual geniuses, but as part of an intellectual and political environment. And their notebooks together with the existing volume on their libraries will aid us in understanding their intellectual development and the way they worked. For this reason, the existing anthologies of U.S. material from Marx and Engels, as well as the Collected Works themselves, should take on new meaning when scholars have available—or use what has already published—the historical-critical edition with regard to subjects related to this country.
What, in general, comes out of the MEGA is a much richer panorama of nineteenth-century intellectual and political history. The role of Marx and Engels in the Europe of this century is undisputed, and not only because of the political groups that considered themselves linked to their ideas. As to their possible utility in analyzing the political and economic dynamics of contemporary society, here the debate is of course open. But if a case can be made—as I think it can—that Marx and Engels could be part of a better understanding of the nineteenth century in the United States, then the Marx-Engels-Gesamtausgabe is certainly of interest to those who deal with this period.

Inhaltsverzeichnisse bereits erschienener MEGA-Bände (Auswahl)

Inhaltsverzeichnisse bereits erschienener MEGA-Bände (Auswahl)

MEGA-Band II/13 (aus dem MEGA-website)

Karl Marx: Gesamtausgabe (MEGA). Herausgegeben von der Internationalen Marx-Engels-Stiftung. Zweite Abteilung. Bd. 13: Karl Marx: Das Kapital. Kritik der politischen Ökonomie. Zweiter Band. Hamburg 1885. Bearbeitet von Izumi Omura, Keizo Hayasaka, Rolf Hecker, Sejiro Kubo, Akira Miyakawa, Kenji Mori, Sadao Ohno, Regina Roth, Shinya Shibata und Ryojiro Yatuyanagi. Berlin: Akademie Verlag 2008. 795 S.; ISBN 978-3-05-004174-2
Der vorliegende Band enthält die Druckfassung des zweiten Bandes des „Kapitals“ von Karl Marx, die Friedrich Engels 1885 nach etwa einjähriger Bearbeitung aus dem Nachlass des Autors herausgegeben hat. Textgrundlage hierfür waren sieben von zehn überlieferten Manuskripten, die Marx in unterschiedlichen Zeiträumen verfasst hat – in dieser Edition abgedruckt in den Bänden MEGA II/4.3 und II/11. Um zu einer Druckvorlage des Bandes zu kommen, hatte Engels zunächst ein Redaktionsmanuskript hergestellt (MEGA II/12). In der Einführung des Bandes, der an der Universität Sendai in Japan bearbeitet wurde, werden die Textunterschiede ausführlich beschrieben. Am Beginn des dritten Bandes des "Kapitals“ schreibt Marx über den zweiten Band: "Im ersten Buch wurden die Erscheinungen untersucht, die der kapitalistische Produktionsproceß, für sich genommen, darbietet, als unmittelbarer Produktionsproceß […]. Aber dieser unmittelbare Produktionsproceß erschöpft nicht den Lebenslauf des Kapitals. Er wird in der wirklichen Welt ergänzt durch den Cirkulationsproceß, und dieser bildet den Gegenstand der Untersuchungen des zweiten Buchs. Hier zeigte sich, namentlich im dritten Abschnitt, bei Betrachtung des Cirkulationprocesses als Vermittlung des gesellschaftlichen Reproduktionsprocesses, daß der kapitalistische Produktionsproceß, im ganzen betrachtet, Einheit von Produktions- und Cirkulationproceß ist.“ Der zweite Band wurde in seiner Rezeptionsgeschichte häufig unterschätzt; in einer der ersten Rezensionen äußerte Wilhelm Lexis, dass sich die Ausführungen "nur in einem bloßen Formalismus“ bewegen würden und der Autor sich mit seiner Wertlehre auf "Irrwegen“ befinde. Der Herausgeber Engels sah dies gelassen: "And thus, German ‘Science’ stares at this new volume without being able to understand it [...].“ (Brief an N. F. Daniel’son, 13. November 1885.) Erst Anfang des 20. Jahrhunderts gerieten die Marxschen Reproduktionsschemata dann in den Mittelpunkt der Auseinandersetzungen über die neuen Erscheinungen der Akkumulation des Kapitals (Rosa Luxemburg, W. I. Lenin, Rudolf Hilferding). 


Inhalt und Einfuehrung